É engraçado como as coisas acontecem em nossas vidas sem que tenhamos o menor controle sobre as situações e seus efeitos catastróficos - ou não.
Por exemplo, hoje você pode estar lendo um livro calmamente, tomando uma grande xícara de chá de hortelã, sentado confortavelmente em uma poltrona na sua sala de estar; e de repente amanhã, pode estar presenciando a morte do seu cãozinho de estimação, companheiro de tantos anos, atropelado por um motorista imprudente em uma rua pacata perto da sua casa.
Ou ao mesmo tempo em que pela manha você acorda contente, sentindo prazer em tudo que faz; pela tarde pode receber um telefonema, uma notícia ou até mesmo uma visita que te faz cair em um estado parcial de depressão que pode durar um dia, dois ou até mesmo meses, anos.
Quando Anne, Patrick e Alex me chamaram pra ir ao Big Apple pra me contar as novidades, na semana passada, pareciam ter adivinhando que eu estava em um ótimo dia.
Naquele domingo eu havia acordado com meu gatinho Bombay de olhos verdes, dormindo sobre meu peito. Tinha tomado café da manhã na varanda calmamente enquanto observava um sabiá ensinado seus filhotes a voar. Tinha ido almoçar em um restaurante no subsolo de uma loja de móveis modernos que eu adoro e encontrado lá um antigo colega de trabalho, que me disse que as manhãs no escritório não eram mais as mesmas sem meus cockies e muffins para adoçar o dia. Quando voltei pra casa, fiz uma cesta enorme com muitos doces, bolos e biscoitos, amarrei com um laço de fita de cetim azul e mandei um taxi entregar a ele e esposa do outro lado da cidade. Tinha passado o resto da tarde vendo filmes antigos com Eros no meu colo tomando sorvete de baunilha esticada no sofá da sala. Quando eles me ligaram, me pareceu uma ótima ideia terminar o dia com eles, jogando conversa fora, bebendo um pouco pra distrair e rindo da nossa bela amizade com sempre fazíamos.
Mal podíamos adivinhar o que estava por acontecer naquela noite quente de inicio de verão...
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